Quanto mais
ascendência o Estado tiver sobre a economia, mais corrupção existirá na
sociedade respectiva. E o Brasil é vítima evidente do estatismo
Ney Carvalho é escritor e historiador
Nunca as
palavras de Lord Acton foram tão verdadeiras como na atualidade do Brasil: “O
poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente”.
Não se
trata, apenas, do exercício do mesmo por uma pessoa, mas do poder do Estado e
suas múltiplas facetas sobre a economia e a vida dos cidadãos, que se
transfere, automaticamente, aos indivíduos, políticos ou burocratas, que
controlam o Estado. E constitui a gênese da corrupção.
A
história brasileira não conhece episódios de corrupção endêmica como aos que
hoje assistimos, nem no Império nem na República Velha. Ambos foram regimes em
que o Estado se mantinha alheio aos negócios e à vida privada. A origem da
corrupção que nos assola é claramente identificável.
O
crescimento da influência estatal sobre a economia nasceu há mais de oito
décadas na ditadura de Getulio Vargas nos anos 1930. Vargas foi o principal
responsável pelo aumento do poder do Estado mantido, inexplicavelmente, pelos
regimes liberais em economia das Constituições que se sucederam desde 1946,
após sua destituição.
Naqueles
tempos foi uma constante a criação de repartições públicas como autarquias,
conselhos, departamentos, inspetorias, institutos e, sobretudo, empresas
estatais. Surgiram a Companhia Vale do Rio Doce e a Siderúrgica Nacional. De um
dos presidentes da primeira dizia-se que havia bebido o rio, comido o doce e
deixado um vale no caixa. A segunda chegou aos anos 1990 aos trancos e
barrancos. O executivo Roberto Lima Neto, encarregado de prepará-la para
privatização, narra que a empresa estava inadimplente com 44 bancos e
fornecedores diversos, além de todos os impostos e contribuições. Tinha linhas
de produção paralisadas por falta de insumos, e foi possível reduzir o quadro
funcional em nada menos que sete mil empregados, um terço do efetivo. Essas
duas empresas foram salvas da onda de corrupção atual pelas privatizações de
fins do século XX.
O mesmo
não aconteceu com as companhias lançadas no mandato democrático de Vargas,
entre 1951 e 1954: Petrobras, BNDES, e Eletrobras. Não foram privatizadas e
estão, hoje, em todos os cardápios de corrupção, prejuízos, delações premiadas
e demais mazelas a que temos assistido.
O poder
quase absoluto do Estado sobre a economia está na raiz da corrupção. Ela não
chega a ser um fenômeno exclusivamente estatal. Se ocorrer em empresas
privadas, será episódio circunscrito a cada companhia e seus acionistas. Mas
quando acontece no âmbito do Estado, atinge todos os contribuintes e, portanto,
a coletividade, pois é ela que pagará a conta.
Quanto
mais ascendência o Estado tiver sobre a economia, mais corrupção existirá na
sociedade respectiva. E o Brasil é vítima evidente do estatismo criado nos anos
Vargas, mantido nas etapas posteriores, inclusive no regime militar, e
exacerbado no período lulopetista.
Transcrito
do link:
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